Ainda nesse segundo período, durante o governo Pereira Lobo, Aracaju começou a receber a chamada missão italiana, a partir de 1918, integrada por mestres de obras, construtores, engenheiros, arquitetos, escultores e outros artistas italianos que contribuíram bastante para com a mudança de alguns padrões presentes na organização do espaço urbano, como Frederico Gentile, Orestes Gatti, Belando Belandi, Nicola Mandarino, Rafaelle Alfano, MarioNoxette e Thomas Mutti. No mesmo período chegou também um outro grupo, liderado pelo construtor alemão Altenesh. Frederico Gentile foi responsável pela construção de muitas cúpulas existentes em edificações implantadas nesse período, além de praças e alguns casarões que ainda existem em Aracaju, como o de Adolpho Rollemberg, além de haver executado o chamado cais da rua da Frente, com pedras unidas através de argamassa com óleo de baleia. Rafaelle Alfano foi o responsável pela reforma da Penitenciária de Aracaju.
O Estado de Sergipe criou, em 1914, a Repartição de Obras Públicas, com o objetivo de administrar os serviços de abastecimento d’água, o serviço de esgotamento sanitário e drenagem e o serviço de eletricidade. Um ano depois, a Repartição foi transformada em Diretoria de Obras, Agricultura, Indústria e Viação. No mesmo ano, para dar mais autonomia à gestão dos serviços de saneamento, foi criada a Inspetoria de Água, Esgotos e Horto Botânico.
Segundo a análise de Rubens Chaves, o terceiro período do desenvolvimento urbano de Aracaju ter-se-ia iniciado em 1930 e concluído o seu ciclo em 1964. Seriam anos de grande modernização urbana. Período no qual, por determinação do presidente da República, Getúlio Vargas, a rua do Barão recebeu um novo nome: rua João Pessoa. A estimativa, na década de 30, para a população de Aracaju, era de 60 mil habitantes. Em 1950, Aracaju já contava com 70 mil habitantes. Na metade dessa década, a população era de 85 mil pessoas, dos quais 25 mil pessoas residiam no bairro Siqueira Campos. Em 1960, era 112 mil o número de pessoas que moravam na capital do Estado de Sergipe. A tendência de crescimento da cidade era direcionada para o Oeste e para o sul, em direção ao bairro Siqueira Campos e em busca das praias.
Um edifício que chamou a atenção na década de 30 foi o do Jardim de Infância Augusto Maynard. A cidade ganhou outros edifícios importantes, como o da Diretoria Regional dos Correios, à rua Laranjeiras, na década de 40. Durante o governo José Rollemberg Leite (1947-1951) foi construído o novo edifício do Atheneu Sergipense, obra concluída pelo governador Arnaldo Garcez (1951-1955) que fez o Auditório (Teatro Arnaldo Garcez).
Nesse decênio e nos anos 50, também foram importantes a construção da sede do Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe – ITPS, à rua Campo do Brito, e da Associação Atlética de Sergipe, à rua Vila Cristina, ambos projetados pelo arquiteto Germano Valença, formado no Rio de Janeiro. Foi ele o autor do projeto do primeiro edifício comercial privado dotado de elevador: o edifício Mayara. O empreendimento era propriedade do empresário João Hora e teve Gentil Tavares como engenheiro. Empresários empreendedores como Álvaro Sampaio modernizaram a indústria de panificação e implantaram fábricas de cigarros, salame e óleo comestível. Outro importante empresário desse período foi Albino Silva da Fonseca, que implantou negócios referentes a comercialização de gás de cozinha, água mineral, fabricação de macarrão e biscoito, além de criar em Aracaju a primeira emissora privada de rádio do Estado de Sergipe.
Para que a cidade continuasse crescendo, os governos desse período investiram no desmonte de alguns morros que eram vistos como impeditivos da expansão da zona central. A partir de 1955, o governador Leandro Maciel enfrentou o maior deles e desmontou o Morro do Bonfim, aterrando manguezais e pântanos do bairro Industrial e dos seus arredores, principalmente da zona periférica àquele bairro, na qual se implantava o bairro Brasília. Em direção ao Oeste, o mesmo governador começou a desmontar o chamado Morro de Bebé e o Elevado da Tebaida, nas proximidades do Hospital Cirurgia, usando a areia para aterrar os manguezais e pântanos da região do bairro São José – a chamada área do Bariri.
Ainda na segunda metade da década de 50 foi muito importante a construção do Aeroporto Santa Maria e a abertura da avenida Desembargador Maynard, aterrando parte da chamada lagoa da Baixa Fria. Na década de 60, há pelos menos duas marcas importantes: o Hotel Pálace de Aracaju e a Estação Rodoviária Governador Luiz Garcia.
O blog EDUCAÇÃO E HISTÓRIA publica textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase nos estudos sobre História da Educação, História da Cultura, História da Ciência e Política. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe.
domingo, 4 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
ENGENHARIA E HISTÓRIA EM SERGIPE - XI
Rubens Chaves aponta como eventos importantes para o desenvolvimento urbano de Aracaju a edificação da Fábrica de Tecidos Confiança, em 1907, da Fábrica de Sabão Aurora, do Teatro Carlos Gomes (depois Cine Rio Branco), da Catedral Metropolitana, do novo Palácio do Governo e da Assembléia Legislativa. Além dessas obras, destaca também a implantação da rede de distribuição de água encanada e do serviço de tratamento da água encanada, a criação da Companhia de Saneamento de Sergipe, o calçamento a paralelepípedo das ruas centrais e a iluminação das ruas centrais com energia elétrica, a partir de 1913. (CHAVES, 2004: 78).
A Escola Normal ganhou seu prédio próprio em 1911, durante a gestão do presidente Rodrigues Dória, na então praça Mendes de Morais, atual Olímpio Campos, instalando também o Grupo Escolar Modelo, o primeiro do Estado, seguido do Grupo Escolar General Siqueira, construído em 1914, na rua de Itabaiana, depois transformado em Quartel da Polícia Militar.
Nesse segundo período algumas providências urbanas deram uma contribuição importante para definir os padrões de crescimento de Aracaju. O poder público fixou o piso da Catedral como referência para o nível oficial das soleiras da cidade. Foi construído o cais do Porto de Aracaju, à rua da Frente, entre as ruas São Cristóvão e Laranjeiras. Esta obra, importante para a proteção dos aterros e definição do limite urbano de Aracaju à margem do Rio Sergipe, foi executada pelo construtor italiano Frederico Gentile . Na década de 20 a cidade ganharia o seu primeiro estádio de futebol. Em 1919 o empresário Adolpho Rollemberg doou um terreno à rua Vila Nova, atual Duque de Caxias, no cruzamento com a rua Vila Cristina, destinado a construção do primeiro estádio de futebol da cidade.
Inaugurado em 1926, o Mercado Modelo Antônio Franco, o mercado velho, foi uma obra que causou grande impacto ao espaço urbano de Aracaju. Implantado nas vizinhanças da antiga Estação Ferroviária, em estilo que remetia ao dos cafés parisienses, ocupava todo um quarteirão e substituía a antiga feira de Aracaju, à rua da Frente, no cruzamento com a rua Laranjeiras. Ali foram instaladas lojas comerciais que vendiam tecidos, produtos de armarinhos, sapatarias, confecções, produtos farmacêuticos, ferragens, couros, carne, produtos de alumínio, cereais, frutas e verduras.
A decisão de construir o Hospital de Cirurgia foi anunciada pelo presidente do Estado de Sergipe, Maurício Graccho Cardoso, durante um banquete em homenagem ao médico Paulo Parreira Horta, quando o médico Augusto Leite reclamou a inexistência em Aracaju de um hospital o qual fosse possível exercer a prática cirúrgica com segurança. Em setembro de 1923, o presidente desapropriou uma área de 8.360 metros quadrados na avenida Barão de Maruim, para a construção. As obras foram iniciadas no mês de novembro do mesmo ano. O projeto foi elaborado por Arthur Araújo, enquanto as obras foram executadas pelo arquiteto e construtor Hugo Bozzi. O Estado investiu na obra 375 contos, o que a coloca como a quarta obra mais cara da década de 20, superada apenas pela Penitenciária Modelo, pela ampliação dos serviços de água e esgoto e pela construção do Centro Agrícola Epitácio Pessoa. A obra do Hospital foi inaugurada em maio de 1926.
O Hospital de Cirurgia era um edifício de três pavilhões e fachada de 106 metros, visto pelo médico Augusto Leite como expressão do grau de civilização da cultura sergipana (SANTANA, 1997: 187). Quando começou a funcionar a instituição dispunha de 70 leitos, ambulatórios, farmácia, salas de curativos, laboratório clínico, serviço de radiologia com sala de raios X, instrumental cirúrgico, câmara escura e um centro cirúrgico composto por duas salas de cirurgia e uma sala de esterilização. Cada enfermaria contava com, no máximo, dezoito leitos. Os apartamentos eram de um ou de dois leitos. A área construída era de 1.800 metros quadrados.
Maurício Graccho Cardoso construiu também o prédio da avenida Ivo do Prado, 398, destinado ao Atheneu Pedro II.
Ainda durante esse chamado segundo período, a cidade de Aracaju começou a expandir a sua área territorial, ocupando espaços de municípios vizinhos. Ao sul, começaram a ocorrer algumas construções no povoado Barreta, atual bairro de Atalaia, então território do município de São Cristóvão. Na primeira metade da década de 20, o presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, integrou o povoado Barreta ao território do município de Aracaju, permutando com São Cristóvão aquela área de terra por equipamentos destinados à geração de energia elétrica na velha capital de Sergipe (CHAVES, 2004: 80). O bairro Atalaia surgia, então, como povoado destinado ao veraneio das famílias mais abastadas de Aracaju. Nos anos seguintes seria construída a primeira ponte sobre o rio Poxim e o prefeito Godofredo Diniz, em 1935, iniciaria a urbanização do bairro, com a implantação, em 1935, de um pequeno cassino na praça do bairro.
A Escola Normal ganhou seu prédio próprio em 1911, durante a gestão do presidente Rodrigues Dória, na então praça Mendes de Morais, atual Olímpio Campos, instalando também o Grupo Escolar Modelo, o primeiro do Estado, seguido do Grupo Escolar General Siqueira, construído em 1914, na rua de Itabaiana, depois transformado em Quartel da Polícia Militar.
Nesse segundo período algumas providências urbanas deram uma contribuição importante para definir os padrões de crescimento de Aracaju. O poder público fixou o piso da Catedral como referência para o nível oficial das soleiras da cidade. Foi construído o cais do Porto de Aracaju, à rua da Frente, entre as ruas São Cristóvão e Laranjeiras. Esta obra, importante para a proteção dos aterros e definição do limite urbano de Aracaju à margem do Rio Sergipe, foi executada pelo construtor italiano Frederico Gentile . Na década de 20 a cidade ganharia o seu primeiro estádio de futebol. Em 1919 o empresário Adolpho Rollemberg doou um terreno à rua Vila Nova, atual Duque de Caxias, no cruzamento com a rua Vila Cristina, destinado a construção do primeiro estádio de futebol da cidade.
Inaugurado em 1926, o Mercado Modelo Antônio Franco, o mercado velho, foi uma obra que causou grande impacto ao espaço urbano de Aracaju. Implantado nas vizinhanças da antiga Estação Ferroviária, em estilo que remetia ao dos cafés parisienses, ocupava todo um quarteirão e substituía a antiga feira de Aracaju, à rua da Frente, no cruzamento com a rua Laranjeiras. Ali foram instaladas lojas comerciais que vendiam tecidos, produtos de armarinhos, sapatarias, confecções, produtos farmacêuticos, ferragens, couros, carne, produtos de alumínio, cereais, frutas e verduras.
A decisão de construir o Hospital de Cirurgia foi anunciada pelo presidente do Estado de Sergipe, Maurício Graccho Cardoso, durante um banquete em homenagem ao médico Paulo Parreira Horta, quando o médico Augusto Leite reclamou a inexistência em Aracaju de um hospital o qual fosse possível exercer a prática cirúrgica com segurança. Em setembro de 1923, o presidente desapropriou uma área de 8.360 metros quadrados na avenida Barão de Maruim, para a construção. As obras foram iniciadas no mês de novembro do mesmo ano. O projeto foi elaborado por Arthur Araújo, enquanto as obras foram executadas pelo arquiteto e construtor Hugo Bozzi. O Estado investiu na obra 375 contos, o que a coloca como a quarta obra mais cara da década de 20, superada apenas pela Penitenciária Modelo, pela ampliação dos serviços de água e esgoto e pela construção do Centro Agrícola Epitácio Pessoa. A obra do Hospital foi inaugurada em maio de 1926.
O Hospital de Cirurgia era um edifício de três pavilhões e fachada de 106 metros, visto pelo médico Augusto Leite como expressão do grau de civilização da cultura sergipana (SANTANA, 1997: 187). Quando começou a funcionar a instituição dispunha de 70 leitos, ambulatórios, farmácia, salas de curativos, laboratório clínico, serviço de radiologia com sala de raios X, instrumental cirúrgico, câmara escura e um centro cirúrgico composto por duas salas de cirurgia e uma sala de esterilização. Cada enfermaria contava com, no máximo, dezoito leitos. Os apartamentos eram de um ou de dois leitos. A área construída era de 1.800 metros quadrados.
Maurício Graccho Cardoso construiu também o prédio da avenida Ivo do Prado, 398, destinado ao Atheneu Pedro II.
Ainda durante esse chamado segundo período, a cidade de Aracaju começou a expandir a sua área territorial, ocupando espaços de municípios vizinhos. Ao sul, começaram a ocorrer algumas construções no povoado Barreta, atual bairro de Atalaia, então território do município de São Cristóvão. Na primeira metade da década de 20, o presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, integrou o povoado Barreta ao território do município de Aracaju, permutando com São Cristóvão aquela área de terra por equipamentos destinados à geração de energia elétrica na velha capital de Sergipe (CHAVES, 2004: 80). O bairro Atalaia surgia, então, como povoado destinado ao veraneio das famílias mais abastadas de Aracaju. Nos anos seguintes seria construída a primeira ponte sobre o rio Poxim e o prefeito Godofredo Diniz, em 1935, iniciaria a urbanização do bairro, com a implantação, em 1935, de um pequeno cassino na praça do bairro.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
ENGENHARIA E HISTÓRIA EM SERGIPE - X
As primeiras ruas e avenidas abertas em Aracaju tiveram a piçarra como pavimento. Depois, as ruas principais começaram a ser revestidas com paralelepípedos e, por fim, a partir da década de 80 o asfaltamento cobriu quase toda a malha viária da cidade.
As construções residenciais tomavam o ponto de partida das obras de Aracaju e avançavam em direção à igreja matriz, fazendo com que surgissem as ruas de Capela, Santo Amaro, Arauá, Própria e Maruim. Em direção ao sul, as casas avançavam até a Fundição, onde estava instalado o depósito de inflamáveis, local em que se construiu, no século XX, o Iate Clube de Aracaju. A conquista desses espaços urbanos se expandiu também na direção Sudeste, formando os bairros Carro Quebrado e Bariri (São José e parte do atual bairro Grageru).
Dentre as obras civis importantes para o desenvolvimento da Engenharia em Sergipe, é possível citar a construção dos dois grandes mercados de Aracaju, na primeira metade do século XX: o Thales Ferraz e o Antônio Franco. No final dos anos 90, os dois mercados foram revitalizados pelo prefeito João Augusto Gama da Silva e destinados à venda de produtos artesanais, doces caseiros e instalação de bares e restaurantes de comida típica. No mesmo período, foram aproveitadas as velhas edificações do moinho de trigo de Aracaju, transformadas em um novo e moderno centro de compras: o Mercado Albano Franco.
A população da nova capital cresceu rapidamente e demandava uma estrutura urbana capaz de oferecer os serviços necessários. Em 1900, 45 anos depois de ter sido iniciada a sua implantação, estima-se que 21.150 pessoas viviam em Aracaju. Os problemas referentes ao urbanismo, contudo, eram muitos. As casas eram construídas sem recuo e suas portas se abriam diretamente sobre as calçadas. Os muros somente chegariam à capital de Sergipe na década de 30 do século XX.
O segundo período estabelecido pela análise do arquiteto Rubens Chaves para a história da cidade de Aracaju vai de 1905 a 1930, marcado pela consolidação da cidade como pólo industrial. Na primeira década do século XX as duas fábricas têxteis instaladas no bairro Industrial (a Sergipe Industrial e a Confiança) empregavam cerca de cinco mil trabalhadores. As fábricas contribuíram para a expansão urbana do bairro Industrial, com a organização de vilas operárias, construindo casas para os seus trabalhadores. Fundamentalmente eram adotados dois modelos de casa: as de tecelões e as dos mestres - os bangalôs. A Sergipe Industrial oferecia aos seus operários benefícios que a cidade, em seu conjunto, não possuía, como luz e um complexo de lazer, idealizado em 1913 por Thales Ferraz, um dos diretores da Fábrica.
O Parque Sergipe Industrial tinha de tudo: equipes de futebol, vôlei, basquete, futebol feminino, e outros esportes, creche, escola infantil e de adultos, farmácia, serviço médico, teatro, sala de dança, cinema, mesas e cadeiras acolchoadas, bloco carnavalesco "Papai Sacode" e outros atrativos, que faziam a festa dos jovens, funcionando até a metade do século XX (BARRETO, 2005).
Nesse mesmo período alguns trabalhadores começaram a aterrar alguns manguezais e pântanos nos arredores do bairro Industrial, iniciando o processo de formação do núcleo residencial que nos anos 60 adotaria a denominação de bairro Brasília.
As construções residenciais tomavam o ponto de partida das obras de Aracaju e avançavam em direção à igreja matriz, fazendo com que surgissem as ruas de Capela, Santo Amaro, Arauá, Própria e Maruim. Em direção ao sul, as casas avançavam até a Fundição, onde estava instalado o depósito de inflamáveis, local em que se construiu, no século XX, o Iate Clube de Aracaju. A conquista desses espaços urbanos se expandiu também na direção Sudeste, formando os bairros Carro Quebrado e Bariri (São José e parte do atual bairro Grageru).
Dentre as obras civis importantes para o desenvolvimento da Engenharia em Sergipe, é possível citar a construção dos dois grandes mercados de Aracaju, na primeira metade do século XX: o Thales Ferraz e o Antônio Franco. No final dos anos 90, os dois mercados foram revitalizados pelo prefeito João Augusto Gama da Silva e destinados à venda de produtos artesanais, doces caseiros e instalação de bares e restaurantes de comida típica. No mesmo período, foram aproveitadas as velhas edificações do moinho de trigo de Aracaju, transformadas em um novo e moderno centro de compras: o Mercado Albano Franco.
A população da nova capital cresceu rapidamente e demandava uma estrutura urbana capaz de oferecer os serviços necessários. Em 1900, 45 anos depois de ter sido iniciada a sua implantação, estima-se que 21.150 pessoas viviam em Aracaju. Os problemas referentes ao urbanismo, contudo, eram muitos. As casas eram construídas sem recuo e suas portas se abriam diretamente sobre as calçadas. Os muros somente chegariam à capital de Sergipe na década de 30 do século XX.
O segundo período estabelecido pela análise do arquiteto Rubens Chaves para a história da cidade de Aracaju vai de 1905 a 1930, marcado pela consolidação da cidade como pólo industrial. Na primeira década do século XX as duas fábricas têxteis instaladas no bairro Industrial (a Sergipe Industrial e a Confiança) empregavam cerca de cinco mil trabalhadores. As fábricas contribuíram para a expansão urbana do bairro Industrial, com a organização de vilas operárias, construindo casas para os seus trabalhadores. Fundamentalmente eram adotados dois modelos de casa: as de tecelões e as dos mestres - os bangalôs. A Sergipe Industrial oferecia aos seus operários benefícios que a cidade, em seu conjunto, não possuía, como luz e um complexo de lazer, idealizado em 1913 por Thales Ferraz, um dos diretores da Fábrica.
O Parque Sergipe Industrial tinha de tudo: equipes de futebol, vôlei, basquete, futebol feminino, e outros esportes, creche, escola infantil e de adultos, farmácia, serviço médico, teatro, sala de dança, cinema, mesas e cadeiras acolchoadas, bloco carnavalesco "Papai Sacode" e outros atrativos, que faziam a festa dos jovens, funcionando até a metade do século XX (BARRETO, 2005).
Nesse mesmo período alguns trabalhadores começaram a aterrar alguns manguezais e pântanos nos arredores do bairro Industrial, iniciando o processo de formação do núcleo residencial que nos anos 60 adotaria a denominação de bairro Brasília.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
ENGENHARIA E HISTÓRIA EM SERGIPE - IX
O primeiro edifício, na antiga Delegacia Fiscal, foi utilizado como Palácio para os presidentes da Província e como Paço pelo Imperador Pedro II, em 1860. Viajantes como Robert Ave-Allemnat comentaram o ritmo das construções da nova capital. Ele afirmou estar impressionado com os alicerces do novo Palácio Presidencial em construção pela sua vastidão, chegando ao detalhe de descrever o tipo de pedra calcária utilizada nas fundações – uma laje branca laminada também usada no revestimento das calçadas. Em 1857 surgiu a primeira igreja da nova capital, a São Salvador, no cruzamento das ruas Laranjeiras e do Barão.
Em 11 de janeiro de 1860 foi inaugurada a Ponte do Imperador, para o desembarque de D. Pedro II, da Imperatriz Tereza Cristina, e da comitiva que os acompanhava. Construída em madeira, a Ponte, na verdade um cais de desembarque, foi substituída, em 1904, por uma outra metálica. Quando foi erguida em 1860, a ponte media 220 palmos de comprimento e 16 de largura. Era composta de duas partes: uma de alvenaria, com 65 palmos de comprimento e outra de madeira, com 135 palmos. As estacas de sustentação eram de beriba, os barrotes de madeira de lei e o assoalho de pranchões de pinho, enquanto um parapeito verde e amarelo fechava, lateralmente a ponte. O assoalho era coberto por um tapete de baeta azul, em forma de T.
Uma escada de 12 palmos de largura, com degraus também cobertos de baeta, foi construída para atender ao desembarque do Imperador, e ao seu uso, enquanto visitava pontos da Província. Na praça, logo depois da ponte, foi montada a Porta da Cidade, como se fosse a entrada de uma Praça Forte, com dois torreões e um arco, na largura da ponte (BARRET0, 2005).
Somente com as obras realizadas em 1920 e em 1937 o monumento ganharia sua forma atual, em cimento.
Em 1860 estava em construção o Palácio do Governo, obra confiada ao engenheiro capitão Pereira da Silva. Dentre os edifícios públicos erguidos na nova cidade, o da Casa de Prisão de Aracaju teve seu funcionamento regulamentado em 1872. Era um edifício de dois pavimentos, localizado na atual praça General Valadão, adaptado para receber enfermaria, escola, oficinas e capela. Ali foram instaladas 50 celas (24 no andar superior e 26 no térreo) com dez presos em cada uma delas . A Cadeia da praça General Valadão foi desativada em 1926, quando o governador Graccho Cardoso inaugurou uma outra obra da maior importância: a Casa de Detenção de Aracaju, construída no bairro América (CHAVES, 2004: 77).
A rua da Aurora, atualmente avenida Rio Branco, foi a primeira aberta na cidade de Aracaju. Depois veio a rua do Barão, atualmente João Pessoa, que recebeu a sua primeiro denominação em homenagem a José Ignácio do Prado, que usava o título de Barão de Aracaju . Também foram abertas a Estrada para São Cristóvão, atual rua São Cristóvão, transversal à rua do Barão e atualmente denominada rua São Cristóvão. À época, a estrada era uma das saídas da nova cidade, com um traçado torto e montanhoso, um caminho que ligava a nova capital com a velha sede do governo da Província de Sergipe, São Cristóvão. A rua de Salvador, atual rua de Laranjeiras era um caminho estreito que levava em direção à Bahia (CHAVES, 2004: 76). Outras artérias importantes abertas até o final do século XIX foram a Estrada Nova, atualmente avenida João Ribeiro, que ligava a cidade ao povoado Santo Antônio do Aracaju e cruzava a atual avenida Simeão Sobral, a melhor e mais antiga das vias de saída e entrada de Aracaju; a Estrada da Jabotiana, atual rua Itabaiana; a rua do Caga em Pé, atual rua Campo do Brito.
Em 11 de janeiro de 1860 foi inaugurada a Ponte do Imperador, para o desembarque de D. Pedro II, da Imperatriz Tereza Cristina, e da comitiva que os acompanhava. Construída em madeira, a Ponte, na verdade um cais de desembarque, foi substituída, em 1904, por uma outra metálica. Quando foi erguida em 1860, a ponte media 220 palmos de comprimento e 16 de largura. Era composta de duas partes: uma de alvenaria, com 65 palmos de comprimento e outra de madeira, com 135 palmos. As estacas de sustentação eram de beriba, os barrotes de madeira de lei e o assoalho de pranchões de pinho, enquanto um parapeito verde e amarelo fechava, lateralmente a ponte. O assoalho era coberto por um tapete de baeta azul, em forma de T.
Uma escada de 12 palmos de largura, com degraus também cobertos de baeta, foi construída para atender ao desembarque do Imperador, e ao seu uso, enquanto visitava pontos da Província. Na praça, logo depois da ponte, foi montada a Porta da Cidade, como se fosse a entrada de uma Praça Forte, com dois torreões e um arco, na largura da ponte (BARRET0, 2005).
Somente com as obras realizadas em 1920 e em 1937 o monumento ganharia sua forma atual, em cimento.
Em 1860 estava em construção o Palácio do Governo, obra confiada ao engenheiro capitão Pereira da Silva. Dentre os edifícios públicos erguidos na nova cidade, o da Casa de Prisão de Aracaju teve seu funcionamento regulamentado em 1872. Era um edifício de dois pavimentos, localizado na atual praça General Valadão, adaptado para receber enfermaria, escola, oficinas e capela. Ali foram instaladas 50 celas (24 no andar superior e 26 no térreo) com dez presos em cada uma delas . A Cadeia da praça General Valadão foi desativada em 1926, quando o governador Graccho Cardoso inaugurou uma outra obra da maior importância: a Casa de Detenção de Aracaju, construída no bairro América (CHAVES, 2004: 77).
A rua da Aurora, atualmente avenida Rio Branco, foi a primeira aberta na cidade de Aracaju. Depois veio a rua do Barão, atualmente João Pessoa, que recebeu a sua primeiro denominação em homenagem a José Ignácio do Prado, que usava o título de Barão de Aracaju . Também foram abertas a Estrada para São Cristóvão, atual rua São Cristóvão, transversal à rua do Barão e atualmente denominada rua São Cristóvão. À época, a estrada era uma das saídas da nova cidade, com um traçado torto e montanhoso, um caminho que ligava a nova capital com a velha sede do governo da Província de Sergipe, São Cristóvão. A rua de Salvador, atual rua de Laranjeiras era um caminho estreito que levava em direção à Bahia (CHAVES, 2004: 76). Outras artérias importantes abertas até o final do século XIX foram a Estrada Nova, atualmente avenida João Ribeiro, que ligava a cidade ao povoado Santo Antônio do Aracaju e cruzava a atual avenida Simeão Sobral, a melhor e mais antiga das vias de saída e entrada de Aracaju; a Estrada da Jabotiana, atual rua Itabaiana; a rua do Caga em Pé, atual rua Campo do Brito.
terça-feira, 29 de junho de 2010
ENGENHARIA E HISTÓRIA EM SERGIPE - VIII
O projeto valorizava o rio Sergipe com o seu cais. Este viria a ser o mais importante atracadouro de Sergipe, situado à rua da Aurora, superando um outro movimentado cais que existia nas imediações da Atalaia: o do rio Poxim, no lugar conhecido como Saquinho.
A cidade se desenvolveu, incorporando contribuições da arquitetura e da engenharia de árabes, russos, romanos, ingleses, italianos, franceses, gregos e muitos aspectos das construções mediterrâneas. Segundo o arquiteto Rubens Chaves, a história da organização do sítio urbano da capital de Sergipe pode ser dividida em cinco períodos: o primeiro, de 1855 a 1905; o segundo, de 1905 a 1930; o terceiro, de 1930 a 1964; o quarto, de 1964 a 2000; e, o quinto e último, a partir de 2001.
O primeiro período seria marcado pela construção dos primeiros edifícios públicos, a partir da antiga Alfândega em direção à atual rua São Cristóvão, e pelo modo como a cidade se distanciou da influência dos antigos povoados Santo Antônio e Massaranduba, os atuais bairros Santo Antônio e Industrial. É neste momento que se trava a mais dura luta do homem que aqui se instala contra o mar e os manguezais, iniciando um processo de permanente desequilíbrio ambiental que marca a história de Aracaju.
As obras de construção da nova capital de Sergipe causaram forte impacto na vida de toda a Província, inclusive no que diz respeito a produção de alimentos. A partir de 1855, de modo crescente, muitos trabalhadores rurais se afastaram dos seus serviços no campo, dedicando-se a atividade de trabalhador urbano da construção civil, empenhando-se nas obras dos prédios públicos e nas residências dos funcionários que migraram para Aracaju. A principal atração era o salário que se oferecia a esses operários, à época considerado exorbitante em face do que eles ganhavam como trabalhadores rurais. Somente no ano de 1855, quando as obras foram iniciadas, Aracaju recebeu mais de 200 homens, procedentes dos municípios de Itabaianinha, Campos, Lagarto, Simão Dias e Itabaiana (ALMEIDA, 1978: 33).
A cidade se desenvolveu, incorporando contribuições da arquitetura e da engenharia de árabes, russos, romanos, ingleses, italianos, franceses, gregos e muitos aspectos das construções mediterrâneas. Segundo o arquiteto Rubens Chaves, a história da organização do sítio urbano da capital de Sergipe pode ser dividida em cinco períodos: o primeiro, de 1855 a 1905; o segundo, de 1905 a 1930; o terceiro, de 1930 a 1964; o quarto, de 1964 a 2000; e, o quinto e último, a partir de 2001.
O primeiro período seria marcado pela construção dos primeiros edifícios públicos, a partir da antiga Alfândega em direção à atual rua São Cristóvão, e pelo modo como a cidade se distanciou da influência dos antigos povoados Santo Antônio e Massaranduba, os atuais bairros Santo Antônio e Industrial. É neste momento que se trava a mais dura luta do homem que aqui se instala contra o mar e os manguezais, iniciando um processo de permanente desequilíbrio ambiental que marca a história de Aracaju.
As obras de construção da nova capital de Sergipe causaram forte impacto na vida de toda a Província, inclusive no que diz respeito a produção de alimentos. A partir de 1855, de modo crescente, muitos trabalhadores rurais se afastaram dos seus serviços no campo, dedicando-se a atividade de trabalhador urbano da construção civil, empenhando-se nas obras dos prédios públicos e nas residências dos funcionários que migraram para Aracaju. A principal atração era o salário que se oferecia a esses operários, à época considerado exorbitante em face do que eles ganhavam como trabalhadores rurais. Somente no ano de 1855, quando as obras foram iniciadas, Aracaju recebeu mais de 200 homens, procedentes dos municípios de Itabaianinha, Campos, Lagarto, Simão Dias e Itabaiana (ALMEIDA, 1978: 33).
domingo, 27 de junho de 2010
ENGENHARIA E HISTÓRIA EM SERGIPE - VII
O pavimento térreo das casas grandes funcionava como depósito e era revestido por lajotas de barro.Já o pavimento superior servia de residência dos proprietários e seus familiares, recebendo um acabamento mais refinado e piso em assoalho de madeira. As paredes eram erguidas normalmente com a utilização de três tipos de material: sopapo, alvenaria de pedras e alvenaria de tijolos. As pedras e os tijolos apresentavam normalmente três dimensões: circulares, utilizadas em colunas, com diâmetro que variava entre 32 e 80 centímetros; retangulares, com dimensões que variavam de 17X8X3,5 a 41X20X7 centímetros. A partir do século XIX, as construções das casas grandes ganharam um maior refinamento. As janelas foram rasgadas por inteiro, até o nível do piso, ganhando sacadas de ferro. Apareceram portas e janelas ogivais, caxilharia envidraçada, além de bandeiras e janelas tipo guilhotina (LOUREIRO, 1999: 15).
Os galpões de fabricar açúcar tinham telhados com grandes águas e alguns deles terminavam quase no chão, com cumieiras muito altas, para facilitar a dispersão do calor. As senzalas nem sempre eram apenas um único e grande cômodo. Era comum a construção de moradias geminadas a meia parede. Eram casas com uma pequena varanda à frente. Alguns estudiosos acreditam que esse tipo de construção serviu de modelo para as vilas operárias que apareceram no início do século XX em cidades como Aracaju, após a construção das indústrias têxteis do bairro industrial.
A engenharia religiosa chegou a Sergipe através dos padres jesuítas, no século XVII, espalhando capelas em toda a zona rural. Tais construções eram erguidas sobre um arcabouço de madeira, com esteios, baldrames e frechais enquadrando as paredes de trama barreada conhecidas como taipa de pau a pique ou taipa de sebe e taipa de sopapo. As paredes eram revestidas com duas camadas: emboço, para o nivelamento; reboco, de areia e cal, para o acabamento. A cobertura era de telhas de barro, moldadas nas pernas dos escravos. A primeira construção dos padres jesuítas em Sergipe foi a casa grande da Fazenda Colégio.
A engenharia religiosa ganhou uma maior sofisticação no século XVIII. Em 1743 foi inaugurada a Igreja Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, na zona rural de Laranjeiras. As paredes de sopapo foram substituídas por novos materiais: pedra calcária ligada por argamassa de barro em calda, cal e tijolos grossos (LOUREIRO, 1999: 15).
Certamente, em seu conjunto, a mais importante obra de Engenharia que Sergipe conheceu em toda a sua história foi a construção da cidade de Aracaju, a nova capital da Província, a partir de 1855. Bem antes disto, outras cidades foram erguidas, demandando a incorporação de tecnologias da Engenharia Civil nas busca de solução para problemas complexos presentes em todas as cidades, como a implantação de calçadas, grades, telhados, esquinas e praças.
O governo da Província tomou a decisão de construir a nova capital num período em que o Império estava reorganizando o espaço urbano de algumas cidades brasileiras, “fugindo das cidades de padrão português, como até então era São Cristóvão, que cumpriu sua missão histórica, trepada em morros, fugindo do mar. Por medo dos aventureiros invasores franceses e holandeses” (CHAVES, 2004: 73). A cidade, traçada pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, em um quadrilátero imaginário, foi concebida sob forte influência européia. Tal quadrilátero foi dividido em 32 quadras de 110m X 110m, formando uma espécie de tabuleiro de xadrez, considerado à época um traçado muito moderno. Tomando como ponto de partida a atual praça Fausto Cardoso, o plano previa uma malha urbana que se estendia por mil metros em direção ao norte, mil metros para o oeste e mil metros em direção ao sul, formando quadras simétricas, de aproximadamente cem metros, além do leito das ruas (BARRETO, 2005).
Os galpões de fabricar açúcar tinham telhados com grandes águas e alguns deles terminavam quase no chão, com cumieiras muito altas, para facilitar a dispersão do calor. As senzalas nem sempre eram apenas um único e grande cômodo. Era comum a construção de moradias geminadas a meia parede. Eram casas com uma pequena varanda à frente. Alguns estudiosos acreditam que esse tipo de construção serviu de modelo para as vilas operárias que apareceram no início do século XX em cidades como Aracaju, após a construção das indústrias têxteis do bairro industrial.
A engenharia religiosa chegou a Sergipe através dos padres jesuítas, no século XVII, espalhando capelas em toda a zona rural. Tais construções eram erguidas sobre um arcabouço de madeira, com esteios, baldrames e frechais enquadrando as paredes de trama barreada conhecidas como taipa de pau a pique ou taipa de sebe e taipa de sopapo. As paredes eram revestidas com duas camadas: emboço, para o nivelamento; reboco, de areia e cal, para o acabamento. A cobertura era de telhas de barro, moldadas nas pernas dos escravos. A primeira construção dos padres jesuítas em Sergipe foi a casa grande da Fazenda Colégio.
A engenharia religiosa ganhou uma maior sofisticação no século XVIII. Em 1743 foi inaugurada a Igreja Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, na zona rural de Laranjeiras. As paredes de sopapo foram substituídas por novos materiais: pedra calcária ligada por argamassa de barro em calda, cal e tijolos grossos (LOUREIRO, 1999: 15).
Certamente, em seu conjunto, a mais importante obra de Engenharia que Sergipe conheceu em toda a sua história foi a construção da cidade de Aracaju, a nova capital da Província, a partir de 1855. Bem antes disto, outras cidades foram erguidas, demandando a incorporação de tecnologias da Engenharia Civil nas busca de solução para problemas complexos presentes em todas as cidades, como a implantação de calçadas, grades, telhados, esquinas e praças.
O governo da Província tomou a decisão de construir a nova capital num período em que o Império estava reorganizando o espaço urbano de algumas cidades brasileiras, “fugindo das cidades de padrão português, como até então era São Cristóvão, que cumpriu sua missão histórica, trepada em morros, fugindo do mar. Por medo dos aventureiros invasores franceses e holandeses” (CHAVES, 2004: 73). A cidade, traçada pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, em um quadrilátero imaginário, foi concebida sob forte influência européia. Tal quadrilátero foi dividido em 32 quadras de 110m X 110m, formando uma espécie de tabuleiro de xadrez, considerado à época um traçado muito moderno. Tomando como ponto de partida a atual praça Fausto Cardoso, o plano previa uma malha urbana que se estendia por mil metros em direção ao norte, mil metros para o oeste e mil metros em direção ao sul, formando quadras simétricas, de aproximadamente cem metros, além do leito das ruas (BARRETO, 2005).
sábado, 26 de junho de 2010
ENGENHARIA E HISTÓRIA EM SERGIPE - VI
A Engenharia Civil chegou a Sergipe trilhando basicamente quatro caminhos: o da construção das cidades, o da edificação de templos religiosos, o da produção açucareira e o da construção de estradas e pontes. Em Sergipe inexistem estudos consistentes sobre a História da Engenharia Civil.
As contribuições mais próximas desse campo foram dadas por três trabalhos voltados para o campo da Arquitetura: o estudo da arquiteta Kátia Afonso Silva Loureiro, Arquitetura sergipana do Açúcar, publicado em 1999 (LOUREIRO, 1999); o livro de autoria de Tom Maia, em parceria com o presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento, e com Thereza Regina de Camargo Maia, Sergipe Del Rey (MAIA, NASCIMENTO e MAIA: 1979); e o livro Sergipe e seus monumentos, de José Anderson Nascimento (NASCIMENTO, 1981).
Além destes trabalhos, os registros mais importantes sobre a Engenharia Civil e a Arquitetura em Sergipe estão presentes nos livros de tombo do patrimônio estadual e federal. Todavia, o problema desse tipo de registro é o privilegiamento quase exclusivo da arquitetura religiosa e poucas referências a construções residenciais que, não raro, sempre destoaram do estilo e das técnicas utilizadas pela alvenaria de pedra e pela ornamentação empregada nas igrejas. Uma boa fonte para o estudo da engenharia dos anos seiscentos aos anos oitocentos em Sergipe é viajar pelo Estado para conhecer os exemplares de obras edificadas nesse período que resistiram ao tempo. Ainda é possível verificar tais obras nas sedes das propriedades rurais mais antigas. O edifício é um documento muito importante para o estudo da História da Engenharia.
Sob a perspectiva da Engenharia Civil é inegável a importância da produção açucareira, uma vez que no mesmo espaço das casas dos engenhos, das instalações destinadas ao fabrico do açúcar e das chaminés foram também construídas igrejas e capelas, além do arruamento das casas das senzalas. As construções obedeciam a um padrão de ordenamento urbano que as dispunham em torno de um grande pátio central, como uma grande praça. Apesar desse tipo de construção não haver se transformado diretamente em vilas e cidades, nas proximidades dos engenhos surgiram povoados, vilas e estradas. Segundo Kátia Loureiro,
as casas grandes eram implantadas a meia encosta, voltadas para o engenho (fábrica), o qual ficava disposto num plano mais baixo, no fundo dos vales por onde serpenteavam rios ou riachos que movimentavam rodas d’água, denotando também, no planejamento espacial das benfeitorias, a divisão social e política que ali existia (LOUREIRO, 1999: 13).
As contribuições mais próximas desse campo foram dadas por três trabalhos voltados para o campo da Arquitetura: o estudo da arquiteta Kátia Afonso Silva Loureiro, Arquitetura sergipana do Açúcar, publicado em 1999 (LOUREIRO, 1999); o livro de autoria de Tom Maia, em parceria com o presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento, e com Thereza Regina de Camargo Maia, Sergipe Del Rey (MAIA, NASCIMENTO e MAIA: 1979); e o livro Sergipe e seus monumentos, de José Anderson Nascimento (NASCIMENTO, 1981).
Além destes trabalhos, os registros mais importantes sobre a Engenharia Civil e a Arquitetura em Sergipe estão presentes nos livros de tombo do patrimônio estadual e federal. Todavia, o problema desse tipo de registro é o privilegiamento quase exclusivo da arquitetura religiosa e poucas referências a construções residenciais que, não raro, sempre destoaram do estilo e das técnicas utilizadas pela alvenaria de pedra e pela ornamentação empregada nas igrejas. Uma boa fonte para o estudo da engenharia dos anos seiscentos aos anos oitocentos em Sergipe é viajar pelo Estado para conhecer os exemplares de obras edificadas nesse período que resistiram ao tempo. Ainda é possível verificar tais obras nas sedes das propriedades rurais mais antigas. O edifício é um documento muito importante para o estudo da História da Engenharia.
Sob a perspectiva da Engenharia Civil é inegável a importância da produção açucareira, uma vez que no mesmo espaço das casas dos engenhos, das instalações destinadas ao fabrico do açúcar e das chaminés foram também construídas igrejas e capelas, além do arruamento das casas das senzalas. As construções obedeciam a um padrão de ordenamento urbano que as dispunham em torno de um grande pátio central, como uma grande praça. Apesar desse tipo de construção não haver se transformado diretamente em vilas e cidades, nas proximidades dos engenhos surgiram povoados, vilas e estradas. Segundo Kátia Loureiro,
as casas grandes eram implantadas a meia encosta, voltadas para o engenho (fábrica), o qual ficava disposto num plano mais baixo, no fundo dos vales por onde serpenteavam rios ou riachos que movimentavam rodas d’água, denotando também, no planejamento espacial das benfeitorias, a divisão social e política que ali existia (LOUREIRO, 1999: 13).
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